Do que eu falo quando eu falo de escrita

Já escrevi bons e mau textos, acreditem, o bem e mau faz parte de mim.

Você escreve bem?

Se alguém me perguntasse isso só poderia dar a mesma resposta que tenho há uns 5 anos: bons e maus textos fazem parte de mim.

Mas ser bom na escrita ou ser ruim não é critério para decidir se alguém é ou não escritor, ou como eu imagino, o critério passe por outros campos como estilo e gostos pessoas que tem uma infinidade de variações.

O bom escritor pra mim pode nem ser um escritor pra você.

Então com que critério alguém pode se dizer que é escritor?

Publico? Sucesso nas vendas? Número de livros? Habilidade com palavras? Belas histórias? Em como a escrita afeta as outras pessoas? Sensibilidade? Contribuição para a imaginação alheia?

Como a gente diz pra alguém que é escritora?

Eu não sei você, mas eu sempre gostei de escrever, mesmo antes de ser alfabetizada eu rabiscava palavras inventadas na minha cabeça, eu criava histórias que se perderiam com a mesma rapidez com que tinham sido inventadas.

A escrita, essa que deixa o registro através da palavra, ela é o aspecto mais representativo, quando não o único de quem escreve. Mas é verdade que escrever não é só registrar, escrever vai muito além disso e envolve a articulação de emoções, pensamentos e mundos internos e externos que tentamos explorar por meio da palavra.

Eu que sempre gostei de escrever, eu que sempre escrevi, sentia bastante desconforto ao me intitular escritora. Sim eu tinha um receio e vergonha, talvez fosse a síndrome do impostor que estava presente em mim – e que ainda aparece de vez em quando.

Desconfortos da escrita

O que torna ou valida alguém como escritor (a)?

Autopronunciamento?

Leitores?

Escrever?

O que?

Eu tinha vergonha, parecia ate coisa escondido, mas pra escrever ou ser escritora eu sentia que tinha que ser forte, boa, reconhecida ou sei lá o que.

Eu nunca trabalhei com a escrita, nunca mesmo. Eu nunca tive o habito de compartilhar meus textos na internet (recentemente que tenho me arriscado mais nesse terreno), eu raramente compartilhava o que eu escrevia com outras pessoas, e se não fosse muito por acaso eu não teria participado de um grupo de produções literárias.

Ou seja a escritora que eu era, e o que eu escrevia só eu via, e só tocava em mim mesma.

Em geral temos a ideia de que um escritor é alguém que escreve livros, entretanto essa é a ideia sobre alguém que escreve e é reconhecido, e denominado publicamente como tal. Essa denominação parece conceder propriedade para ser um escritor. Nesse caso a denominação vem de fora pra dentro, ou seja tal pessoa é reconhecido como escritor. Mas a escritora que eu era vinha de dentro e nem sempre, na maioria das vezes, não encontrava reconhecimento fora.

Acho que se você não é desse tipo de escritor, esse que digamos é tímido sobre a própria escrita, se você não é assim, pode conhecer algum assim.

Então isso me fazia o que? Uma amadora? Alguém que escreve mas que não pode se intitular escritora porque não faz isso profissionalmente?

Eu procurei entender o que acontecia comigo e descobri que um incomodo se devia principalmente porque eu não estava levando a minha escrita nos meus termos do que se trata escrever, e sim nos termos alheios do que é considerado ser um escritor.

Outro incomodo era porque a escritora que eu era só eu via, ninguém via ou sabia. E se ninguém sabia ou via, parecia-me que eu não tinha validade.

A escrita me revelou aspectos da minha insegurança em mim mesma. Inclusive que eu não tinha medo de ser escritora de fato, eu tinha mais medo era que ninguém me visse como uma, que não houvesse validação. Eu esperava que alguém colocasse valor no que eu escrevia, e consequentemente, em mim.

Mas com o tempo eu percebi que eu poderia ser uma escritora tendo ou não a validade alheia, e que pra ser uma escritora eu só precisava mesmo era escrever. Que eu poderia ser uma péssima ou ótima, mas que a única forma de não ser uma escritora era não escrever. Isso sim não me deixaria ser escritora: Não escrever.

Acontece que vencido o problema da invalidade, e mesmo entendido os meus desconfortos eu ainda os sentia, e embora lidasse melhor com eles, eu ainda estava longe de os ter superado. Eles se faziam presentes em meu caminho.

E foi só depois de muito tempo que eu fui entendendo gradualmente o porquê. E ele está relacionado profundamente ao que escrever significa pra mim. Os desconfortos eram um sinal, um sinal sintomático, e não a causa do meu problema com a escrita.

As razoes do meu desconforto

Para mim a escrita só parece que faz sentido quando encontra o outro, e por muito tempo o fato de a minha escrita não ser um ponto de encontro com o outro alimentou minha insegurança.

Nesse caso o meu desconforto em não me considerar uma escritora é que eu não estava sendo a escritora que eu desejava, e desejo, nos meus próprios termos. Eu não estava tocando em ninguém com a minha escrita, eu não estava afetando, emocionando ou construindo mundos com o que eu escrevia, e esse era, e é, ainda a fonte que gera os meus desconfortos.

Eu precisava sentir que a minha escrita poderia contribuir, ou ter algum impacto, ainda que pequeno pro outro e quem sabe pro mundo. Quando descobri isso, naquele período eu parei de escrever por bastante tempo, já tinha desistido de ter sucesso mesmo nos meus termos que era o de basicamente, fazer da minha escrita algo com impacto positivo.

Foi só então que sem escrever eu percebi que eu precisava voltar, porque eu sentia a necessidade de escrever. E que na verdade tinha alguém em quem a minha escrita já causava um bem danado, uma calma e senso de fluxo e entrega que tornavam o mundo um lugar mais habitável, eu descobri que essa pessoa era eu mesma. E que se houvesse alguém a quem ela impactasse tudo bem, mas que bastava eu mesma pra eu já conseguir ser uma escritora nos meus próprios termos.

O lado bom foi que descobri que as vezes a gente precisa assumir que o outro, o publico é a gente mesmo.

Quando a escrita é encontro

Escrever é balancear os mundos. Para um escritor esse mundo é visível, ou tenta se fazer através do que escreve. Para os outros nem sempre é. Eu escrevo segundo o meu mundo, cada um sempre escreve segundo o seu mundo, segundo a sua mediação de mundo. E quando mundos se encontram existe uma alegria de compartilhamento inexplicável.

Meio que por acaso de experimentar o encontro da minha escrita com os outros, e o melhor de tudo, dar e receber suporte de outros escritores como eu, encontrei o grupo Vocacional Literatura, que realizava encontros na Biblioteca Mario Schenbergue na Lapa. O grupo era um espaço de encontro, escrita e compartilhamento, além de conversas significativas e produção literária. O grupo era o outro que eu estava buscando já fazia algum tempo.

Eu tenho um conselho para quem escreve, sejam devaneios não categorizáveis, ficção, relatos diários receitas de bolo, anotações bonitas ou piadinhas sem graça. Faça parte de um grupo de escrita, pelo menos por um tempo.

Grupos de escrita, desses que só se propõem escrever mesmo e compartilhar são importantes. São neles que quem escreve media seu mundo com o dos outros, e fazer junto e ter um grupo de apoio e compartilhamento é uma experiência enriquecedora.

Escrever tem um “que” de sanidade, não de estar são, mas de tornar algumas loucuras suportáveis, de tornar algumas coisas admissíveis ainda que seja só na escrita. Escrever não cura, mas torna a ferida consciente e torna o remédio algumas vezes possíveis de ser descoberto.

No Vocacional Literatura eu descobri que não era a única que resolvia muita coisa através da escrita. E descobri que estamos juntos, acredite você não está sozinho.

Em grupo o que escrevemos toma uma outra dimensão do que a nossa,  você encontra outras perspectivas diferentes do seu texto que nunca teria se não os compartilhasse, te dá animo inclusive, e te ajuda a aceitar as folhas escritas que nem você consegue aceitar.

E a experiência mais bonita é ver quando um texto seu repercute no outro, quando toca ou emociona, quando faz sentido, quando encontra o outro.

Um grupo pode salvar sua jornada introspectiva ou torná-lo consciente de que você tem companhia, de que não é o único a passar por aquele caminho, e que todos nós a nossos modos e em nossos próprios termos somos os escritores que podemos ser, ou que estamos almejando nos tornar.

Somos todos escritores? Com que critério?

Talvez sim. Talvez não. Depende. Acho até existem muitos tipos de escritores, muitos mesmos. Mas o que torna um escritor, escritor, é porque se é, é só escrever.

Será que qualquer escrita? Não sei, acredito que sim, mas esse é um critério de julgamento muito particular. No meu acho que um escritor é aquele que conecta em um nível master, conecta histórias e relatos…e encontra a si e aos outros.

Escrever está e sempre estará no processo de relacionar-se pra mim, e o que se relaciona de forma viva e rica são pessoas. Escritores se relacionam através de palavras, pelo fio condutor do relato, da ficção, da emoção que transmite, coa e conecta.

Teria orgulho da minha lapide – se eu quisesse ter uma –, porque ela diria: Escreveu como forma de estar viva e foi grata por isso.

 

  • O titulo desse texto foi inspirado, e retirado do titulo do livro “Do que eu falo quando eu falo de escrita” do Murakami, Inclusive este é um ótimo livro e deixo a sugestão aqui :), outro livro que aborda o tema da escrita é o “Sobre a escrita” Do Sthephen King, igualmente interessante.
  • Todo o texto entretanto é original meu 🙂
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Pensamentos Soltos….a palavra

Eu gosto muito da palavra, mas aprendi observando que nem todo mundo tem tanto afeto nela ou sabe escolhê-las.

E você como usa a palavra?

Quando a tua palavra é escudo, e quando a tua palavra é convite?

Quando a tua palavra é encontro, e quando a tua palavra é fuga?

Autocuidado: A beleza além da aparência

A beleza é um acordo entre o conteúdo e a forma.“ Henrik Ibsen

Existe beleza além da aparência. Existe uma beleza que a aparência não consegue manifestar.

Existem belezas que não estão possíveis de serem vistas, o que não quer dizer que elas não possam serem sentidas, faladas ou ouvidas.

O que é pra você uma beleza genuína? O que realmente te deslumbra em uma pessoa?

A beleza de uma poesia, ou de alguém que com delicadeza nos fala de sua experiência, a beleza de uma caligrafia espantosamente impecável, a beleza de um português bem falado, a beleza da sensibilidade pra entender o mundo, sensibilidade inclusive pra ver a beleza… a beleza de todas essas outras coisas. A beleza integra de uma pessoa.

Porque não cultivar ser belo? Um ser belo de verdade além da aparência física.

Cultivar ser belo além da aparência é um grande autocuidado.

Do que falamos quando falamos sobre autocuidado, ou do que imaginamos falar….

Pra mim autocuidado tem muito a ver com o que colocamos, aperfeiçoamos ou dedicamos a desenvolver em nos mesmos que constrói beleza. Autocuidado é cuidar de uma beleza profunda que mora por baixo de nossa pele, que está em tudo o que fazemos e inclusive em como vemos o mundo e nos entregamos a ele.

Pra mim o maior autocuidado é aquele que vai em busca de eu me tornar uma pessoa melhor. E eu descobri que inclusive esse meu autocuidado é de uma beleza não egoísta.

Porque quando sou alguém melhor estou cuidando de mim e do mundo ao meu redor, e eu também estou cuidando dos outros.

O que agente aprende cuidando de nós mesmos, é que todos precisam de cuidados

O que é autocuidado pra você? E como você vem cuidando de si mesmo?

Ter autocuidado procurando ser um ser belo cuidando da pessoa que somos, investindo na gente, é ter um compromisso com uma beleza que faz bem ao mundo. Que vai além da camada da superficialidade.

Porque a beleza de uma só camada, essa que a gente segura na pele, ou em look moderno, um par de olhos bonitos, ou um corpo esculpindo pode até ser colírio aos olhos, pode inclusive ser um grande alívio visual mas ela em si mesma pode ser bastante vazia e pouca satisfatória, tanto pra gente quanto pro outro.

A beleza que atrai raramente coincide com a beleza que apaixona”.
Ortega y Gasset

Se algo bonito pode fazer diferença, imagine ser um ser humano bonito?

Sabe alguém que você olha e sente aquela sensação de beleza inexplicável? Mesmo a pessoa não sendo aquele tipo físico que te atrai?

Essa pessoa deve estar cuidando de sua beleza interna, essa pessoa está florescendo, se alimentando, se nutrindo com cuidados para ser alguém belo.

Autocuidado é alimentar nosso amor-próprio, sim, ele necessita ser alimentado.

Auto cuidado é questão pessoal, ouvir a si mesmo com atenção é uma forma de autocuidado.

Praticar atenção plena é autocuidado, ouvir a música que te traz bons sentimentos, comer aquele prato de sua sobremesa favorita, ser bondoso, saber se perdoar….

Autocuidado é sinal de carinho com a gente e com o outro, porque quando a gente se cuida bem a gente tem condições de cuidar melhor do outro também.

E esse é um sinônimo de beleza, de autocuidado que eu vejo nas pessoas que sempre me leva a admirá-las, elas são bonitas porque eu percebo que no caminho em estarem cuidando de si, elas tem sensibilidade com o outro.

Quando o cuidado e a beleza são abundantes na gente e podemos estendê-la aos demais, isso é de uma beleza que me encanta.

Por uma nova medicina: A medicina das conexões

Comida é medicina

Relacionamentos são medicina

Sentimentos e como percebemos quem somos é medicina

Exercício é medicina

Sono é medicina

Meditação é medicina

Ter proposito e bom humor é medicina

A palavra medicina vem do latim mederi, que além de significar curar, tratar também significa “saber o melhor caminho”.

E eu acredito que o caminho é diverso, com muitas conexões. Remédios farmacêuticos é apenas uma rota entre outras que podemos seguir.

Toda vez que me vejo doente, que escuto meu corpo e que me recuso a ir ao medico percebo que estou cada vez mais descrente da medicina que é praticada por muitos médicos.

Somos vitimas de uma medicina só de corpo, sem alma, e que desconsidera muitas vezes nossas mentes e emoções.

Nós somos o todo sabe? Não é possível fracionar a gente, a gente é um todo se interligando e inter-afetando de diversas formas.

Não há divisão fisiológica da parte metafísica.

Não somos um órgão isolado, não somos somente o corpo, a mente, o rim ou o estômago. E sim o composto de um todo interconectado que se relaciona de diversas formas, por isso que eu sonho com uma medicina da conexão, da associação e interdisciplinaridade.

Eu sonho com uma medicina de projeção em vez de uma medicina com ação somente de remediar.

Eu não entendo nada de medicina, por favor, esse texto é escrito por alguém que é absolutamente leiga, e me perdoem alguns médicos por esse meu posicionamento, mas é que acho que existem tantos caminhos pra sermos saudáveis, e acho que isso tem sido tão mal aproveitado que me entristece e por isso escrevo.

Pra mim uma medicina focada em projeção faz mais sentido. Eu sei, vivemos em um país que não tem estrutura pra isso, a realidade da maior parte de atendimento publico do SUS é uma vergonha.

E é por isso que eu acredito que uma medicina de projeção seria um projeto interessante.

Se em vez de tratarmos os sintomas tratássemos as causas.

Adoraria outras abordagens, além de uma apenas sintomatica.

E o resgate de uma medicina que não tem um discurso competente é essencial pra gente, o resgate de uma medicina que se dá de forma natural, que utiliza o que comemos, como nos movimentamos, o que pensamos ou sentimos como parte do remedio.

Sabia que consumir aveia pode ajudar com a Depressão?

Pois é, não é a aveia remédio mas ela tem triptofanos que colaboram pra nosso organismo produzir enzimas que auxiliam nosso corpo a lidar melhor com a depressão.

Uma depressão tem efeitos no Sistema imunológico, e logo em nosso corpo. Sabemos hoje que o sistema imunológico é influenciado por inúmeros fatores.

Sabemos o quanto está conectado em como a gente se sente. Somos um ser uno e não um ser fracionado. acredito que um dos maiores engamos nossos foi achar que poderíamos separar alguma coisa.

E banhos? Banhos de asseio? Nem sempre ir tomar remédio é o melhor remédio.

Uma medicina de conexão é uma medicina da humanidade.

Existem tantos conhecimentos que podem se cruzar, existem tanto a ser ganho ao resgatar algumas tradições populares que realmente funcionam.

É claro que a indústria farmacêutica poderá perder fortunas com isso. Mas nossos medicos deveriam se perguntar: “Mas com o que é o nosso compromisso? Com a doença, com o dinheiro ou com a vida?”

E você? O que você defende?

O dilema mente sã em corpo sã precisa ser usado mais vezes, inclusive sendo reescrito corpo sã em mente sã. Porque o que somos nós se não uma grande interconectividade pertencente a um grande todo?

Sobre carreiras, Hobbies, e como podemos contribuir de verdade para o mundo

O que você faz bem que toca nas outras pessoas? O que você faz bem que faz de você, e pode fazer do outro um ser humano melhor, ou viver em um mundo melhor?

Escolher uma carreira, pensar uma vocação ou qual a atividade com a qual investiremos nossa energia é uma tarefa árdua muitas vezes.

Hoje penso que não devemos nos prender tanto a uma graduação, a um curso ou a um emprego, porque sinceramente, embora isso seja uma parte nossa com toda certeza ISSO NÃO nos define.

Somos muito mais do que o trabalho que fazemos e em geral isso é só uma pequena parte nossa.

Além do mais a boa notícia é que não somos imoveis, se não gostamos de uma carreira, se não sabemos o que queremos fazer, podemos simplesmente mudar, experimentar.

Existe inclusive a possibilidade de ter um emprego que sim, talvez não seja o emprego das nossas vidas (se é que ele existe, e se é que ele é possível pra todo mundo, e se é que ele não é qualquer um), então acredito que manter um emprego que nos possibilite pagar as contas e nos poupe energia e nos forneça dinheiro para cultivar nossos hobbies ( hoje muita gente acha que deve transformar seu hobbie em trabalho da sua vida, mas eu tenho lá as minhas ressalvas),manter este tipo de emprego pode ser uma salvação até.

Pois bem, o meu objetivo nesse texto não é dar conselhos de coach de carreira e essa coisa toda. Não sou qualificada pra isso.

O meu objetivo é que se precisamos realmente de um filtro, de um critério para escolher uma carreira, um emprego ou até mesmo criar a profissão das nossas vidas ou nosso negocio, esse filtro deveria com certeza passar por um questionamento.

Se alguma coisa devesse permear a escolha de nossas trabalhos e atividades profissionais acho que sinceramente deveria ser aquilo que fazemos de melhor e com que melhor podemos contribuir para o mundo.

“Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam, aí está a sua vocação.” Aristóteles

Pra mim Aristóteles estava certo.

E eu não penso em coisas grandes sabe? Eu penso pequeno mesmo, que não tem nada errado em pensar pequeno.

E se a necessidade do mundo for de ter pessoas que lavem bem e rápido e com economia de água muitos pratos? E se eu Andréia sei fazer isso? Porque não está ai uma vocação?

Só porque não é uma atividade valorizada?

Repare que a frase é onde as necessidades do mundo te encontram, e não onde encontra a vaidade, a valorização, o status ou o dinheiro.

Se você quer outra coisa então simplesmente vá fazê-la.

Mas se gostaria de encontrar um propósito, um propósito de verdade, usar o critério da frase de Aristóteles pode inclusive te ajudar a se sentir realizado, ou ainda que está contribuindo de alguma forma pra esse mundo.

Todo mundo quer contribuir pra um mundo melhor, mas pouca gente ousa perguntar se o mundo precisa da contribuição que faremos.

Eu quero contribuir, mas será que o que quero dar é relevante?

Imagine que você está com sede e te dou uma pizza pra comer, isso resolve o seu problema?

Se pensarmos que nem sempre o que achamos ser contribuição é de verdade um ganho seremos mais críticos conosco mesmo e inclusive com aquilo que de verdade temos pra oferecer.

Acredito simplesmente que ser o seu melhor, no sentido de ser a melhor versão de você mesmo já pode contribuir muito.

E te digo algo, você saberá que é o seu melhor porque provavelmente ele fará alguma diferença, ainda que pequena, ele não morrerá com você.

O nosso melhor as vezes tem a ver com o que trazemos de nos mesmos e que faz não somente a gente mas as pessoas ao nosso redor se sentirem bem também.

A coisa mais afortunada do mundo, não é dinheiro, ser magra, ou ter um casamento perfeito, a coisa mais afortunada do mundo são os encontros que são possíveis, são eles que dão sentido a vida, e o que se encontra são pessoas.

Onde é que você se conecta com você mesmo e com as pessoas? Ai pode estar um propósito para a sua vida

Pra mim o que se conecta são pessoas, o que se encontra são pessoas…mas o que é pra você?

Talvez seja um bom momento agora para parar de ler este texto e refletir ao se perguntar

“O que eu faço bem que toca nas outras pessoas?”

E se você pudesse trazer isso pra fora de si? Não precisa ser um trabalho 5,6,7 dias por semana.

Não precisa ser 12,8,6 horas por dia.

Pode ser quinze minutos apenas. Pode estar presente na sua atividade de trabalho que é também seu ganha pão, ou pode estar nas suas atividades de Hobbie.

E se você puder (e você pode, tenho certeza) trazer o seu fazer bem. E tornar dele o cano condutor das suas conexões, da sua vida?

Talvez isso de medo, talves isso seja muito ousado, talvez isso traga incertezas a sua vida.

O que é otimo, pois todos lidamos com a incerteza, e se todos lidamos com ela é sinal que na incerteza existe uma forma de conectar e de construir encontros.

A incerteza traz isso de bom: ela nos faz lidar juntos com o que quer que seja.

Portanto se você tem incertezas, talvez ela possa ser sua amiga. Que bom que tem incertezas, isso é um sinal humano e como dizem tmj, estamos junto, eu também tenho.

Ter incertezas faz parte de viver, cuidado quando você tiver certeza, se tiver muita então pode estar já morto.

Sempre achei que a certeza faz parte da vida de alguém que já está morto, porque viver é construir-se, é ir sem saber que se vai, pra depois sentir que está indo e pra então ir construir o novo, ir e viver é incerto.

A certeza deve pertencer ao domínio da morte.

Porque a vida é uma questão de equilíbrio e de misto de tudo, é claro que tem certezas na vida, mas elas são voláteis, ou podem ser, depende de onde se enxerga. Pra mim é tudo muito fluido.

E a incerteza ela até te liberta sabe? Porque você tem liberdade, tem escolha, possibilidade.

Mas voltando ao assunto, não se esqueça onde você se conecta consigo, com o outro e com o mundo.

E não se esqueça que o que se conecta são pessoas. Sempre pessoas.

E quem sabe quando você tiver um palpite sobre onde se dão os encontros na sua vida, saiba qual é a conexão mais importante e porque ela pode ser o seu trabalho dos sonhos, a sua contribuição para o mundo ou simplesmente aquilo te move, e é o seu propósito.

O meu encontro se dá aqui, na palavra, na escrita. E onde se dá o seu?

Higiene do sono, construindo o habito de dormir bem

Dormir bem é um luxo.

Tive insônia até os meus 26 anos e sei bem como é terrível. Em alguns períodos da minha vida a ansiedade para dormir era tanta que até ataques de falta de ar eu senti por não conseguir dormir.

Em outras noites, pensamentos paranoicos me tomavam de conta, e eu tinha noites péssimas. E no melhor dos casos eu demorava muito pra dormir, depois de quase 40, 50 minutos, as vezes horas de ter fritado na cama.

Serio, eu conseguia durante essas noites intermináveis e sem sono imaginar minha vida toda e ainda refazê-la pelo menos umas 3 vezes.

Hoje, aos 31 anos me lembro clara e alegremente da primeira vez que tive uma noite em que coloquei a cabeça no travesseiro e dormi em menos de 10 minutos. Foi algo tão gostoso e relaxante que agradeci por muito tempo a isso.

Hoje sou grata a todas as noites de bom sono que tenho e abro mão de muita coisa por uma noite de descanso profundo.

Meu horário de dormir por exemplo é fixo, as 21:30 hrs estou indo me preparar para ir à cama.

Iniciou o meu processo. Vou me acalmando, bebo algo quente, desligo celulares e tomadas perto de mim, arrumo a cama, me visto para dormir e se estou muito desperta pego um livro pra ler na cama ou um caderno para escrever alguns pensamentos.

As vezes faço umas respirações, alguma meditação por uns 5 ou 10 minutos e calmamente me deito.

As 22:00 eu estou deitada esperando o sono chegar. E acredite ele vem, e ele é delicioso.

Mas não foi sempre assim, e confesso que quando quebro esse ritual de “convidar o sono para vir”, quando o quebro demoro mais para dormir e me reviro na cama muitas vezes.

Todo mundo sabe – ao menos quem já se martirizou com isso – que estar deitado, querer dormir, sentir que o sono não vem e ficar ansioso por estar acordado enquanto as horas vão passando é definitivamente algo que nos deixa de mau humor e irritados.

E esse mau humor as vezes dura até a manhã seguinte, quando cansados por não termos dormido tudo o que deveríamos ficamos chateados por não podermos enfim aproveitar mais do sono já que está no horário de levantar.

Demorei para aprender mas hoje tem alguns hábitos que pratico e que realmente ajudam a “Convidar o sono”, e a construção desses hábitos geralmente se inicia com o processo de Higiene do sono.

Por que higiene do sono?

Porque em geral tanto o ambiente como nós mesmos precisamos fazer um processo de higienização, que envolve uma série de mudanças tanto de hábitos, quanto do ambiente, que possam gerar condições para dormir rapidamente e com qualidade.

Ter um sono saudável é um processo, mas é um processo que vale muitíssimo a pena.

Iluminação

Geralmente esse é um ponto que muitos negligenciam mas que é essencial. Luzes muitos claras, como as de led por exemplo acabam por nos deixar ainda mais acordados.

Acontece que essas luzes, assim como as do celular, computador e muitos outros aparelhos eletrônicos nos deixa alertas.

Para um bom sono precisamos que a luz seja diminuída antes mesmo de irmos para a cama.

Luzes avermelhadas como daquelas antigas lampadas de filamento são mais agradáveis e nos induzem a um descanso ocular.

Além disso é preciso que o quarto em que dormimos esteja 100% escuro. Qualquer feixe de luz, mesmo que estejamos de olhos fechados entrará pela fina película que cobre nossos olhos.

A escuridão induz ao sono profundo e ajuda em uma sono de melhor qualidade.

A cama é lugar de dormir, faça disso um habito

Quem não usa a cama pra diversos propósitos? Come, trabalha, passa horas no celular deitado ou assistindo a séries e filmes e outras muitas tarefas…

Acontece que nosso corpo é esperto e nosso inconsciente também, ele simplesmente memoriza determinados ambientes a certas atividades.

Então se você por exemplo constantemente se alimenta na cama ou deitado, seu cérebro entende que aquele lugar é para se alimentar e na hora de dormir o seu inconsciente fica confuso com o ambiente que está e com o que deve fazer.

Por isso é importante estabelecer que determinado ambiente serve apenas para o propósito de dormir ( e para sexo também rsrs, isso pode), assim fica fácil pro seu inconsciente compreender o ambiente e se adequar a ele.

Regra dos 10 minutos

Você deita e se revira e se revira, e logo a ansiedade de que você deve dormir toma conta de você.

Mas você não dorme e ao contrário de contar carneirinhos passa a contar pensamentos negativos e ansiosos de o porquê de você não dormir e quais as consequências isso te tra na manhã seguinte.

Nesse momento está o grande poder de quebrar essa rotina de ansiedade.

A regra dos 10 minutos é simples. Se você deitou e em 10 minutos não consegue dormir e está fritando o seu cérebro na cama, simplesmente mude de estratégia.

Levante-se. Beba um copo de água, ou um chá quente, faça um exercício simples de respiração. Simplesmente respirar e prestar atenção ao fluxo de ar já é o bastante.

Ainda melhor pegue um livro e comece a ler, mas uma leitura tranquila, algo que seja como um passatempo prazeroso, que não seja desafiante assim você não ativa seu cérebro e o desperta ainda mais.

Vale lembrar que ter apenas um abajur ou luminária de luz vermelha ajuda que você tenha iluminação mas que não seja o tipo de luz que só te manterá ainda mais desperto.

E nunca….Nunca pegue o celular

Celulares e outros dispositivos eletrônicos são inimigos do sono….até mesmo as tomadas

Aparelhos eletrônicos como celulares, tabletes, videogame, televisão e outros só te manterão mais e mais acordado, porque a quantidade de informação e luz provenientes desses aparelhos manterão seu cérebro em um estado constante de alerta para absorver todo aquele conteúdo que você está acessando.

Portanto esses aparelhos não são bem-vindo no seu quarto, muito menos próximo da sua cama.

Até porque mesmo que você não esteja utilizando eles transmitem ondas de informação imperceptíveis a olho nu mas que tem frequência e podem interferir na qualidade do nosso sono.

Celulares inclusive devem serem carregados fora do quarto durante a noite, e se você precisar de um despertador, utilize o do celular mas deixe em outro cômodo da casa, ou na porta do quarto em volume bem alto assim não perderá a hora.

Além dos aparelhos eletrônicos, até mesmo as ondas transmitidas pela oscilação da eletricidade chegando em nossa causas pode causar interferências, ainda que mínimas, em nosso sono. A energia elétrica brasileira é conhecida como uma das mais oscilantes do mundo.

Portanto evite no quarto deixar aparelhos ligados na tomada ou ter a cabeceira da cama junto a uma tomada.

O Barulho é também fonte de constante alimentação de distúrbios do sono então se você mora próximo de uma avenida muito movimentada ou algum lugar em que o barulho é constante experimente utilizar protetores auriculares para ter silencio.

Fatores fisiológicos que contribuem para um bom sono

Já teve a sensação que seu estômago estava conversando com você? Princialmente durante a noite?

A alimentação é um fator importante para a qualidade de um bom sono e ajudar você a adormecer rápido.

A noite prefira alimentos mais leves e de fácil digestão, já que se seu corpo estiver que ficar acordado e com esforço para digerir uma refeição pesada, isso significa que você também ficará acordado. O intestino é nosso segundo celebro.

O ideal a noite é comer alimentos mais leves e um chá quente – e para alguns leite, embora eu seja intolerante – podem ajudar. Já alimentos como chocolates e que contem cafeiná devem ser evitados até 6 horas antes do horário de dormir.

Temperatura é algo importante.

Nem muito quente, nem muito frio. O ideal é que tanto nosso corpo quanto o ambiente em que dormiremos esteja com uma temperatura amena.

Em dias frios, um banho morno pode ajudar o corpo a se aquecer além de acalmar. Isso varia em geral de pessoa pra pessoa. Mas os banhos frios devem ser evitados, enquanto que para algumas pessoas banhos quentes relaxam e por isso acabam por induzir ao sono.

Experimente e veja se é mais viável um banho morno ou um pouco mais quente antes de dormir.

E não esqueça de usar roupas de cama e cobertores ou edredons confortáveis e ideais para a estação do ano, isso facilita que seja criada a temperatura ideal para seu corpo e ajuda você a entrar mais rápido em estado de sono.

Horário, rotina e habito

Aquele que domina seus hábitos domina sua vida, e domina seu sono.

Estabelecer que dormir bem e cair facilmente é a construção um habito é essencial para sucesso nesse projeto.

Portanto encare a tarefa a sério, seja disciplinado. Eu te garanto vai valer muito, mas muito a pena mesmo quando você poder desfrutar de um adormecer fácil e de um corpo e mente restaurados na manhã seguinte.

Dormir bem é um claro motivador e indicador de uma qualidade de vida melhor e saudável.

Crie o habito de um horário e rotina para dormir.

Construa o habito de preparo para o sono, ajude seu ritmo biológico e psicológico a se acostumar com a ideia de ir dormir, e vá ir se preparando psicológica e fisicamente para isso.

Tenho certeza que você consegue,

Do que somos, como somos

Somos seres ilimitados, se experimentando através da limitação. Somos seres limitados, mas podemos ser ilimitados. Só que ser ilimitado implica talvez em não ser. Para sermos ilimitados teríamos que não existir, ao menos não em uma forma física. Humana, limitada

Somos seres Infinitos. Ao menos somos seres infinitos em possibilidades, inclusive aquelas que não tomamos, que não conhecemos.

Somos seres disponíveis. Somos seres da Disponibilidade.

Somos seres limitados da disponibilidade mediante ao infinito. Parece até poesia tudo isso, mas tenho certeza que agora, ou antes ou no futuro em algum lugar da cabeça de alguém essa ideia sobre a que escrevo vai passar como uma explicação mesmo a como somos ou quem sabe chegará depois da pergunta de como estamos vivendo.

Cientistas talvez entendam melhor isso que estou tentando disser do que eu mesmo.

Eu só espero que eu, você ou alguém consiga absorver e viver com tudo isso mesmo.

 

Um amor de inclusão

Se eu pedisse pra você fazer uma lista do que você ama, quanto tempo demoraria pra você se colocar na sua lista?

Até amar o outro é mais fácil as vezes, e muitas delas, mas amar a gente, amar a gente de verdade é um relacionamento a ser construído e mantido e regado pra vida toda.

Dia dos namorados, passou, teve muita gente que se enamorou do outro…

E Se enamorar, quando você se enamorou de você?

Se deu aquele presente, que não precisa ser coisa comprada, pode ter sido tempo, espaço, silencio ou ter se levado para um café ou pra jantar?

A verdade é que a gente precisa com certeza uns dos outros pra sermos felizes e nos sentirmos amados, mas não podemos e nem devemos achar que os outros são a única e a principal fonte de nosso amor. Isso é perigoso.

Colocar nossa felicidade e amor-próprio nas mãos dos outros é como um ato de irresponsabilidade. Tiramos a responsabilidade da gente em gerir e alimentar nossa própria felicidade pra colocar nas mãos de alguém.

Compartilhar é diferente. Compartilhar quer dizer que eu sou responsável e que em outros momentos algumas outras pessoas também tem sua parcela de responsabilidade, mas não vêm delas unicamente a responsabilidade.

Compartilhar amor tem mais a ver com amor-próprio do que a gente imagina.

A gente só dá o que tem, ou o que cultiva junto pra fomentar e redistribuir.

Eu, essa pessoa que sou, estou esperando o dia dos solteiros (brincadeirinha rsrs)

Eu estou esperando o dia que quando eu perguntar pra alguém o que faz parte da lista das coisas que ama ela coloque a si mesmo, pra eu sorrir de volta, grata ao amor que podemos gerar com a gente mesmo….

E que genuinamente pode encontrar o outro. Que pode vibrar, aquecer e aumentar no outro assim como em mim mesma, porque compartilhamos.

O poder do limite e do que é possível de ser feito

Cada um morre como pode, ou vive como pode sem ter certeza de que esta, de fato, morrendo ou vivendo de forma vantajosa.

Cada um mora como pode, ou anda como pode, sem ter certeza de que está morando ou andando de forma mais vantajosa.

Cada um de verdade vive como pode, ou como acha possível que se pode viver. Uma única coisa podemos afirmar, a gente é, ou transforma a gente naquilo que é possível de ser feito.

A gente pode até querer muita coisa, ou quase nada, mas entre mundos de desejos e mundos de realidades a vida parece mesmo mais esse equilíbrio instável, hora pendente pra um lado, hora pra outro.

A vida que se vive como pode, pra ir sendo cada dia mais ou menos, pra ir se fazer e refazendo, se abandonando um pouquinho, se destruindo um pouquinho e ir se encontrando um pouquinho mais, se construindo um pouco mais, a vida, e tudo o mais disso só é feito dentro de uma zona de possibilidades de limites.

O limite é justamente uma zona de crescimento.

Se a gente não tivesse limite não seria nada, se a gente não tivesse algum limite se perderia em possibilidades tantas que seriam tomadas só por estarem disponíveis e não por serem as que desejamos ou as que nos são ofertadas.

Ou pior ficaríamos imobilizados diante de tantas escolhas que o processo de escolha por si só já mataria em nós toda a vida.

O limite tem isso, é mais móvel do que parece, é mais promissor do que pensamos.

A vida, o processo de escolha e de tomada de caminho tem muito a ver com os limites que situações, momentos e pessoas nos impõem ao nosso trilhar.

Escolher é essencialmente limitar. Por isso que precisamos limitar, porque só assim podemos escolher e ir adiante.

O limite tem isso de bonito, salva a gente de não ser nada, salva a gente de ser tudo que seria quem sabe não ser nada e que talvez fosse nem ter conta da gente, como se fossemos viver em um universo que por ser tudo nem conseguisse a consciência de que é algo por não conhecer o limite do que é não ser.

Deve ser assim a questão do limite e expansão, mais ying e yang.

Todo limite contém uma expansão em si, assim como toda expansão contém um limite – ou deveria conter.

Acho que o limite pra mim, é visto como uma forma saudável de aprendizado.

Nossa sociedade prega uma vida ilimitada em que tudo se pode ter, mas não é porque tudo se pode que se deva, alias ter tudo disponível pode até mesmo tornar nosso processo de escolha tão difícil e frustrante que de repente queiramos viver com menos opções.

Estilos de vida essencialistas, minimalistas e outros são a resposta clara dos dias atuais de que estamos sobrecarregados de opções, que estão de fato nos trazendo infelicidade em vez de alegria e satisfação.

Barry Schwartz abordou a questão das escol lhas em seu livro “O poder da escolha: Porque mais é menos”, vale a pena a leitura e vale a pena contextualizar as ideias do livro em outros aspectos de nossa vida do que somente uma ida ao supermercado ou a escolha de um perfume.

Schwartz traz reflexões que podemos levar para escolher o que é essencial para pensar a gente, o nosso entorno, nosso “bens”, nossas posses…quem sabe a vida.

Escolher é viver, mas limitar-se é poder viver ponderadamente e de forma a centralizar-se podendo viver mais e quem sabe poupar-se tempo ao escolher menos. E aproveitar assim as próprias escolhas.

Suponhamos que você vá comprar uma havaianas e chegue na loja e saiba que só tem dois modelos, e duas cores, isso em todas as lojas da Havaianas. Sua escolha então é entre um e outro e você ao escolher, mesmo que não tenha o tal modelo que talvez só exista em seu sonhos, você escolhe um, e pronto você faz a escolha que é possível de ser feita.

A possibilidade de que você fique insatisfeito quanto a sua escolha é menor pois estava claro que era uma ou outra. E a probabilidade de certeza de sua compra será maior.

Mas suponhamos que você vá até lá, e tenha 37 modelos diferentes e que a vendedora te diga que tem variações de modelos de lojas para lojas. Automaticamente seu nível de ansiedade e de escolha aumenta, assim como de desejo de fazer a melhor escolha pra você.

A vendedora te diz inclusive que você poder ter uma personalizada. A escolha parece quase ilimitada, assim como a sua possibilidade de acreditar que está fazendo a escolha certa, já que a quantidade de variáveis é infinita, ou quase isso.

A possibilidade de que você pense ao adquirir um modelo que existe um outro melhor em outra loja, ou que o azul royal seria melhor do que o menta limão escuro, ou que ainda o modelo personalizado seria o melhor simplesmente te tirá a satisfação da sua escolha, já que todo um leque de outras possibilidades poderiam serem escolhas que você teria feito.

Hoje é mais comum ter muitas escolhas do mesmo produto do que ter a noção clara do produto que realmente precisamos.

A gente sabe muito do que está disponível e pouco do que a gente realmente precisa.

Minimalismo e essencialismo são propostas, e métodos de vida, de escolha. Inclusive de “Escolha menos e escolha melhor”, já que são propostas em que não só se escolhe menos, mas em que o tempo em que se mantém com o objeto da escolha é muito maior do que em outras propostas temporais e sazonais de viver.

Por isso eu diria que minimalismo e essencialismo são duas propostas de vida que se adéquam com certeza a uma filosofia de vida de limite, de escolhas e balanceamento das mesmas.

As vezes escolher é fácil, manter-se na escolha são outros 500

 

O mais difícil as vezes nem é escolher, mas é em se manter fiel a sua escolha, é dizer a si mesmo que, mesmo que tenha outras opções você tomou com base naquele momento especifico a que cabia melhor a você.

E que portanto e como mesmo com inúmeras possibilidades, o caminho que pode ser percorrido é somente um, você fez o melhor que pode com aquilo que era possível de ser feito.

Entender isso ajuda a gente a se perdoar inclusive na vida, quando arrependidos da escolha do curso da universidade, do parceiro, da cor da pintura da sala ou de um destino de viagem a gente se culpa e esquece de se auto perdoar e de fluir com aceitação da própria escolha.

A frase “Aceita que doí menos” com certeza é uma frase que nos leva não ao conformismo, mas sim a transposição do que doí, ou que angustia, inquieta e nos pega de jeito.

Aceitar é a primeira fase do processo de mudar, não posso transformar aquilo que não admito que existe, que é a matéria prima do próprio ato da transformação.

Aceitar a escolha e o limite que ela nos traz, é também desfrutá-la, é também permitir-se aproveitar seja o que houver de bom ou de mal nela.

Acredite tudo tem um lado bom e ruim, muitas vezes é uma questão de perspectiva, de foco, a vida entretanto não está pra ser desfrutada nos extremos e sim no balanceamento, no equilíbrio.

E você como está vivendo e aproveitando suas escolhas, seus limites?

Porque é assim que você está aproveitando e vivendo sua vida.

Testamento Vital: Vamos falar sobre a sua morte, e em vida, porque é tudo o que importa antes de morrer

Como você planeja o momento em que não estará aqui, porque você sabe, assim como eu que logo logo, daqui há 10 semanas ou daqui há 50 anos a gente vai morrer. E a gente de alguma forma vai deixar uma bagunça aqui na terra.

Como você pensa nos dias após a sua morte? E se estiver em estado vegetativo?

Morrer as vezes é dar mais trabalho para nossos entes, talvez seria melhor se só desaparecêssemos. Morrer é hoje em dia, quase que sempre, salvo exceções, deixar pra vários das pessoas próximas de nós encargos nossos com que eles terão que lidar.

Sim se você for querido, estarão tristes, sentirão sua falta ou a dor de sua ausência. Mas logo logo, com seu corpo se decompondo rapidamente centena de decisões terão que ser tomadas, ou quem sabe com você na UTI já a 11 meses, aparelhos precisaram ou não serem desligados.

Feche os olhos.

Imagine que você morreu e que pode vir por umas horas a terra pra ver o que está acontecendo ao redor de sua morte.

Você deixou uma série de coisas aqui na terra, correto?

A começar com o seu corpo, que será a primeira coisa de que cuidarão.

Pele, córneas….E os seus órgãos?

O que fazer com os órgãos? Quer ser doador? Não quer?

Enterra ou Incinera, aonde enterra?

Quer que põe roupa social naquele que passou a vida toda sendo informal?

Traz padre, missa? Flores?

E os pertences, sabe aquele diário que tinha segredos? Quem cuida dele, e as roupas?

E os animais de estimação, e aquela poesia obra-prima que você gostaria que fosse publicada.

E aqueles seus papeis, aquela sua amada caderneta cheia de informações que você não deseja que leiam?

E aqueles seus itens de coleção que provavelmente sua família vai até jogar fora?

E aquele dinheiro guardado? E uma carta de despedida pros amigos e familiares?

Você tem algum segredo que não quer que morra contigo? E agora, fala como?

E simplesmente se você estiver em coma e não conseguir se comunicar com ninguém e estiver consciente mas vivendo miseravelmente quando desejava que os aparelhos já estivessem desligados?

Quer que se prolongue a vida mesmo com dor e sofrimento ou prefere ir de vez? Tem opção?

Existe tratamento alternativo, quer tentar?

Feche os olhos de novo, mas agora se imagine em vida, pronto pra fazer uma série de escolhas que podem lhe garantir uma voz quando morto você não poderá dizer mais nada, porém encontrará uma forma de ainda de fazer entendido.

Feche os olhos e imagine,

Como será, ou o que será do que sobrar de você quando você não estiver mais aqui ou estiver mas não de forma a poder escolher por si mesmo?

Quantas decisões que são todas cabíveis a você e que entretanto você será totalmente incapaz de fazê-las, porque simplesmente já está morto e não pode responder por si só ou porque simplesmente não deixou manifestados seus desejos para quando você se fosse.

E acredite terão os vivos que decidir por você. Mas você está vivo agora, e tem escolha.

Por isso que cuidar pra que o próprio momento de despedida seja coerente com aquilo que você desejava em vida é essencial.

Como encarar e conseguir lidar com essas questões importantes do pós-morte?

Só tem um jeito, e é nos encarregando do nosso próprio pós-morte.

Uma hora a gente vai ser lixo, um lixo de corpo, um lixo de itens que deixaremos. É bom a gente se

começar em vida a organizar o lixo de quando a gente morrer. Como dito em um texto do Alex Castro, “Somos o lixo que alguém vai ter que organizar.”

Não é só o pós-morte que importa. Importa o momento que em vida não conseguiremos responder por nós mesmos

Acho importante ter um testamento, ou uma carta dessas que a gente deixa quando morre, mas passei a achar importante também ter um testamento Vital, para que eu possa ter assegurada alguns desejos.

Ouvi falar sobre Testamento Vital (Também conhecido como declaração antecipada de vontade ou diretrizes antecipadas) pela primeira vez em uma revista do Sesc se não me engano. E congelei, parei por um momento pra pensar e me senti muito insegura. Eu não quero ser do tipo de pessoa que deixa as coisas pros outros organizarem, eu quero uma outra situação.

Eu não terei como assegurar que todas as minhas vontades possam serem realizadas, mas eu tenho como assegurar que ao menos deixarei meus entes queridos com o conhecimento do que eu gostaria que fosse feito, e tirarei deles grande parte das tomadas de decisões.

O que é um testamento Vital, qual a importância e o cuidado de ser feito.

Um testamento Vital é um documento elaborado em vida e em condições lucidas em que uma pessoa registra os desejos do que gostaria que acontecesse com ela em caso ficar incapacitada de suas funções mentais (acidente, coma) ou em caso de morte iminente (doença altamente degenerativa como alzhaimer por exemplo).

Não entrarei em detalhes técnicos sobre o Testamento Vital, já que a minha ideia é um texto de introdução e reflexão sobre a importância de pensarmos ao redor do fato de nossa própria morte.

O Testamento Vital pode seguir ou não um roteiro pré determinado, e deve ser reconhecido firma pois se trata de um documento oficial e porta-voz de seus desejos em caso de uma situação em que acidentado você fique incapaz de responder por si mesmo.

Um testamento vital tem um grande importância pra decidir o que acontecerá com você em situações de UTI por exemplo, desligamento de aparelhos e até mesmo se deseja ou não prolongar sua vida em uma situação de doença terminal em que você esteja incapacitado de decidir por si mesmo.

A legislação brasileira não tem ainda uma lei especifica sobre o testamento Vital, o que não quer disser que o documento não tenha validade.

Ele se trata de um documento oficial, de grande importância e tem valor legal, por isso precisa ser elaborado com cuidado. Inclusive recomenda-se consultar um medico e um advogado par a elaboração.

Caso haja alterações em suas pretensões ou durante o processo de uma doença altamente degenerativa é preciso alterar o documento a fim de garantir que os desejos e ideias expressados nele contenham e estejam de acordo verdadeiramente com o que você deseja.

Como fazer um testamento Vital, e o que levar em consideração?

É preciso pensar. Elaborar um testamento vital é uma ação honesta e muito madura que podemos ter conosco mesmo em vida e morte. Pensar sobre a morte em geral, ou o fato de que inevitavelmente mais cedo ou mais tarde desapareceremos pode parecer um assunto pesado ou um tanto desconfortável.

Mas é somente quando a gente aceita e amadurece a ideia de que morreremos e que devemos sim estar prontos para isso é que passamos a abordar o assunto com mais naturalidade e até com certo otimismo.

Afinal o nosso destino, e o destino de todos os seres vivos é passar, como dizia Alan Watts “Passar é viver, permanecer é morrer”.

Comece por questões praticas

Para iniciar o seu testamento vital, comece por questões praticas e depois vá para questões profundas e ou de forte apelo emocional.

O que você gostaria de que lhe acontecesse em uma situação em que ainda em vida, mas incapacitado lucidamente de escolher?

Um acidente, uma doença agressiva, um coma prolongado…

E se estiver com Alzhaimer, gostaria que sua família ficasse com você ou preferiria não dar trabalho a ninguém e ser internado em uma casa de repouso?

Gostaria que caso houvesse a possibilidade de serem desligados os aparelhos depois de alguns meses em coma, ser essa a decisão tomada?

Quer receber visitas se estiver em uma casa de repouso? Tem algum lugar que deseje ser internado?

Confia as decisões a alguém? Quer testar tratamentos alternativos?

E por ai vai.

E depois parta pra questões emocionais e especificas ou que envolvem pensamentos refletivos. E já aproveite para pensar inclusive nos seus desejos que vão além do testamento Vital, nos desejos depois de sua partida mesmo.

Quer que alguém em particular cuide de seus animais de estimação? Tem algum segredo que gostaria de contar? Gostaria de dizer algumas últimas palavras a alguém que já não fala a muitos anos? Quer deixar cartas de despedida?

Imagine escrever cartas de conforto a todos os seus entes queridos, seria um balsamo não?

Presentear alguém com o seu dinheiro em banco? Publicar um livro postumamente? Gostaria que em vez de velório você tivesse uma festa a lá Janis Joplin?

Ou quem sabe ao invés de missa de sétimo dia você desejaria que seus amigos se reunissem em sua memória e fizessem um trabalho voluntário doando todos os seus itens pessoais para associações de caridade?

O que você deseja pra você quando não estiver mais aqui? O que você deseja pra quando estiver aqui e estiver incapacitado de responder por si mesmo?

Pense, pense e reflita. E vá anotando tudo. É uma oportunidade única até mesmo pra repensar nossas vidas, nossos caminhos e como gostaríamos de aproveitar o tempo que nos resta.

Não se esqueça de fazer o registro em cartório de suas observações e desejos, e de informar a parentes sobre a existência de seu testamento vital. Você inclusive pode discutir com ele sobre alguns pontos a fim de que suas ideias fiquem claras e cheguem a um melhor entendimento.

A gente precisa conversar abertamente sobre a morte, sobre o processo de morrer, e sobre o pós-morte.

Eu ainda não fiz meu testamento vital, ele não está pronto, mas já está ocorrendo sua elaboração porque quero deixar esse mundo de forma bem resolvida.